Nº 1412 ano 2021
Data:

Geral COVID - 19


Tratamento precoce é polêmico, vacina é a solução

Cloroquina, Azitromicina, Ivermectina, entre outros medicamentos, foram levantados por muitos como tratamento na pandemia do coronavirus, sendo motivo de muita polêmica no Brasil e no mundo.

Por: Karina Custódio/Redação
Publicada em: 22/03/2021 7h50min
Atualizada em: 23/03/2021 17h10min
Foto: Arquivo pessoal
Danuta Duarte trabalha com pacientes de Covid-19 em Tocantínia.

Após mais de um ano de pandemia ainda não foi encontrado um protocolo unificado de prevenção e tratamento da Covid-19 embasado cientificamente, e muita polêmica em torno de medicamentos utilizados cerca a questão. Desta forma, o melhor tratamento, sem dúvidas é a vacina, que começou a ser aplicada no Brasil em janeiro.

Nesta seara não foram poucas as soluções propostas para a prevenção ou o tratamento à COVID-19, desde a hidroxicloroquina, um medicamento para tratar Malária e Lúpus, até Ivermectina, um fármaco para combater piolhos, foram levantados como possibilidades para tratar a doença.

No Tocantins essa história não foi diferente, a Secretaria de Saúde de Palmas (Semus) divulgou, em julho de 2020, um Manual de Manejo Clínico para COVID-19 que indicava o uso da Azitromicina e Ivermectina, assim como outros medicamentos, para tratar a COVID-19. No norte do Estado Araguaína também indicou a Azitromicina e Hidroxicloroquina em seu Plano de Contingência Municipal, publicado em 19 de junho de 2020, veja o trecho da publicação “A equipe da UPA juntamente com a secretaria da saúde do município, deram início a um protocolo geral para o tratamento da COVID-19. Os pacientes que estiverem apresentando síndrome gripal, casos leves a moderado, com história de contato com caso confirmado ou suspeito grave, iniciará o tratamento com hidroxicloroquina” a Azitromicina foi indicada apenas para casos graves. Esses remédios seguem sem comprovação científica de eficácia e alguns dos medicamentos que ganharam fama como uma resposta à doença chegavam a agravá-la.

O Informativo Conjunto da Associação Médica Brasileira (AMB) com a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), publicado em janeiro de 2021, sobre vacinação e tratamento farmacológico preventivo foi explicito a declarar que “As melhores evidências científicas demonstram que nenhuma medicação tem eficácia na prevenção ou no ‘tratamento precoce’ para a COVID-19”. Outras publicações como o Manejo Clínico da COVID-19 de autoria da Organização Mundial da Saúde (OMS) também contraindicam os medicamentos, a organização alertou que além de não funcionar a Hidroxicloroquina, nos estudos observados, “provavelmente aumentou os eventos adversos” de quem foi tratado com ela.

Perguntada pelo Jornal sobre o tratamento indicado para COVID-19 a Secretaria de Saúde de Palmas afirmou que “Todo paciente avaliado nas Unidades de Saúde do Município recebem prescrição de tratamento, conforme avaliação médica baseada no quadro clínico de cada caso.”, Araguaína também foi questionada sobre as indicações medicamentosas, mas até o fechamento da matéria o Jornal não obteve nenhuma resposta.

Com sintomas leves de COVID-19 a arquiteta Suzanne Mattos foi uma das pessoas que aderiu a Azitromicina “Aqui em casa está todo mundo com COVID-19, meu pai, minha mãe, eu, minha namorada… todo mundo fazendo tratamento precoce, com medo de complicação”, a arquiteta conta que já perdeu familiares para a doença e que o medicamento é indicado por uma médica conhecida pela família, Suzanne acredita que ele funciona, pois, a maioria da sua família não desenvolveu casos graves da doença.

Danuta Duarte, médica que trata pacientes com COVID-19 em Tocantínia, no interior do Tocantins, alerta que para comprovar a eficácia de um medicamento é preciso uma pesquisa rigorosa “As pessoas podem dizer eu usei, funcionou para mim então funciona, não é bem assim isso é o que a gente chama de viés de observação, você está observando então isso interfere no julgamento sobre o resultado” ela afirma que o estudo clínico randomizado duplo cego é o mais confiável nele “as pessoas vão ser separadas em dois grupos, esses grupos vão ser definidos aleatoriamente e um grupo vai receber o medicamento a ser estudado e outro grupo vai receber o placebo… uma substância que não tem nenhum efeito, um comprimido com farinha, por exemplo, nem a população que está sendo estudada e nem o pesquisador sabe quem recebeu o que” esse “segredo” permite eliminar o viés de observação, já que só após ser feito a análise dos dados sobre os pacientes é que são revelados quem recebeu ou não a medicação estudada.

Após mais de um ano de pandemia ainda não foi encontrado um protocolo unificado de prevenção e tratamento contra a enfermidade embasado cientificamente. Mas ainda assim muitos avanços foram feitos para conter a COVID-19, Danuta destaca a vacinação como a principal forma de prevenir a doença em conjunto com o uso de máscara e adoção do distanciamento social.

No Tocantins mais de 83 mil doses das vacinas (Coronavac e Astrazeneca) foram aplicadas, já temos mais de 3% da população tocantinense vacinada.