Nº 1352 ano 2020
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Principal Portas Fechadas


Restaurantes em Palmas apontam dificuldades durante os primeiros dias de enfrentamento ao Coronavírus

A partir de um decreto municipal, restaurantes de Palmas estão operando apenas para entrega através de aplicativos e disk delivery.

Por: Rafael Miranda
Publicada em: 24/03/2020 17h33min
Atualizada em: 25/03/2020 13h59min
Autemir Fábero é proprietário de um churrascaria na quadra 103 Norte.

A Prefeitura de Palmas determinou desde a última quinta-feira (19) o fechamento de bares, restaurantes, academias, shoppings e do comércio de forma geral, como forma de prevenção a disseminação do Coronavírus na cidade.

Desde então, como está sendo a realidade enfrentada pelos estabelecimentos que vendem refeições? A partir do decreto municipal, esses locais estão operando apenas para entrega através de aplicativos e disk delivery.

O jornal Primeira Página entrevistou empresários e trabalhadores do ramo para saber das dificuldades que surgiram agora na Capital.

Em meio a um cenário de crises, muitos restaurantes ou fecharam as portas por tempo indeterminado ou então reduziram drasticamente a produção e a mão de obra.

É o caso da empresária Regiane Cardoso, dona de um restaurante na quadra 105 Norte. Segundo ela, nenhum funcionário foi mandado embora ainda, mas ela garante que não há dinheiro para pagar os salários.

“Meu restaurante é pequeno, aqui não temos capital de giro para tocar o negócio. Nesse momento, estamos sem dinheiro em caixa”.

Segundo Regiane, como muitas pessoas estão em casa, há tempo para fazer as próprias refeições.

“Nossa demanda reduziu bastante, aqui em semanas normais precisamos de cerca de 20 funcionários para atender a demanda, mas agora estamos com apenas três, e o restantes dos colaboradores estão em casa”.

A mesma situação ocorre com Autemir Fábero, dono de uma churrascaria na 103 Norte que serve refeições durante o dia.

“Está muito complicado, tivemos que mandar embora três funcionários que estavam em contrato de experiência, e encostamos por 30 dias outros cinco. Aqui, fizemos acordo e estamos pagando uma ajuda de 200,00 para esses profissionais, como forma de compensar as perdas”

Por fim, Autemir completou que as “medidas foram ruins para os negócios, mas para a saúde pública foi correta. Quanto mais cedo se precaver melhor. Veja a Itália hoje, não queremos chegar nesse nível, então as pessoas devem realmente ficar em casa”.

Trabalhador

Um garçom que não quis se identificar comentou ao jornal Primeira Página que o momento é de apreensão. “Não sei como será o dia de amanhã, pois a empresa que eu trabalho está buscando uma decisão sobre o que fazer. No momento, estamos todos em casa aguardando. Eu tenho minhas contas para pagar, mas não sei de onde virá o dinheiro”.

Abrasel

A presidente da ABRASEL/TO (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Ana Paula Setti, contou em entrevista ao jornal Primeira Página que a situação está difícil na Capital.

Segundo a presidente, outros estados tiveram prazo para se readequar para o fechamento dos estabelecimentos, “mas em Palmas isso ocorreu da noite para o dia e ninguém conseguiu se organizar”.

A ABRASEL informou que promoveu junto ao sindicato que representa os trabalhadores do setor uma convenção coletiva sobre demissões, férias e afastamentos.

“Existe a possibilidade de pagar os dias trabalhados do mês março ao trabalhador, mas caso o empresário queira suspender o contrato, ele deve pagar os direitos imediatamente. Existe também a opção de pagamento de cesta básica no valor de 100,00 ou acordo de férias coletivas”.

Contudo, a presidente da Associação contou que aguarda uma Medida Provisória definitiva do Governo Federal sobre as relações trabalhistas nesse período de crise.

Para Ana Paula, “o decreto não está errado, ele foi prudente! Existem pontos poderiam ter sido esclarecidos de forma melhor, mas acredito que em algum momento teríamos que parar, como aconteceu em vários outros estados”.

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