Nº 1427 ano 2021
Data:

Principal Saúde


Núcleo Henfil está há 6 anos sem reforma

Inaugurado na década de 1990, o núcleo funciona numa antiga casa de freiras, pacientes reivindicam prédio adequado.

Por: Karina Custódio/Redação
Publicada em: 10/06/2021 17h23min
Atualizada em: 14/06/2021 16h05min
Foto: Arquivo pessoal
Núcleo funciona em casa na 404 norte.

O Núcleo de assistência Henfil, localizado na quadra 404 norte, funciona há mais de seis anos sem manutenção ou reforma. O Núcleo faz parte do SAE - Serviço de Atenção Especializada em HIV e Hepatites Virais e do serviço de referência em Infecções Sexualmente Transmissíveis, no local é oferecido testes e tratamento para essas doenças.

Uma das pacientes do Núcleo, que não quis se identificar, procurou o Jornal Primeira Página denunciando a situação: “Tem uns seis anos que o Henfil funciona nesse endereço e nunca passou por manutenção ou reformas. A Secretária de Saúde de Palmas disse que iriam conseguir um novo local, para atender os pacientes do Núcleo Henfil, mas até o momento nada”. Ela também reclama da falta de especialistas, como infecto pediatras, que são importantes para garantir que crianças expostas ao HIV não tenham sido contaminadas.

Casa sofre com avaria no teto - Arquivo Pessoal

Médico no estabelecimento, o Dr. Alexandre Janotti declara que o espaço não é adequado e que antes de abrigar o Núcleo Henfil a casa era uma residência de freiras, para ele o ideal seria centralizar todos os exames e especialidades num mesmo prédio, o profissional de saúde conta que por um tempo isso chegou a acontecer. “Chegamos a nos mudar para a policlínica da ARNO 31, lugar bem mais adequado onde poderíamos oferecer um ambiente de melhor acolhimento e resolutividade com acesso a exames complementares e acesso a outras especialidades”.

O retorno aconteceu depois de o Ministério Público do Tocantins (MPE-TO), em agosto de 2020, instaurar procedimento administrativo junto a Secretária Municipal de Saúde de Palmas (Semus), por causa da mudança, que expunha pacientes com HIV e AIDS que necessitam de sigilo e descrição em seu tratamento, já que sofrem muitas vezes preconceito ao realizá-lo.

No local são atendidas todas as pessoas com ISTs em Palmas - Arquivo Pessoal

Diante do prejuízo aos pacientes, o prédio retornou a 404 norte sem receber manutenções, reformas ou ampliações.

Mãe de um bebê de seis meses, a paciente que reclama da estrutura do prédio, também alega ter sofrido com a ausência de leite em fórmula para seu filho que deixou de ser fornecido pelo Núcleo Henfil entre os meses de novembro de 2020 e março de 2021. “As mães que fazem tratamento de HIV/Aids não podem em hipótese nenhuma amamentar, pois, a amamentação pode passar o vírus do HIV para o bebê. No meu caso, o meu filho toma o leite Nan Comfor 1, uma lata  de 800 gramas chega a custar entre 40,00 a 50,00 reais, 1 lata dá para uns 6 dias. Estava desempregada e tendo que pedir dinheiro emprestado e ajuda para desconhecidos em grupos das redes sociais, para  poder comprar o leite do meu filho”. O Núcleo Henfil deveria fornecer o leite em fórmula por 12 meses.

Conforme a paciente a Semus afirmou, na época, que havia acabado o estoque de leite em fórmula e que seria feita outra licitação para compra, hoje o leite em fórmula já está sendo disponibilizado, mas a mãe conta que o desabastecimento durou 5 meses.

O Jornal Primeira questionou a Secretária de Saúde palmense sobre o fornecimento de leite em fórmula, quantidade de profissionais de saúde e transferência do local ainda em março, mas até a publicação da matéria continua aguardando resposta, que será divulgada assim que fornecida.

Reclamações

Além dos danos à estrutura, outros pacientes usaram a avaliação do Google para demonstrar sua insatisfação com o atendimento oferecido. Identificado como “D S A” um usuário do Google afirma que funcionários destratam os pacientes, prejudicando sua autoestima.

“Pelo amor de Deus, troquem ou capacitem o povo que atende o telefone e que fica na recepção, pois, tratam os usuários como cachorro, sempre com grosseria e desdém. Se o usuário na maioria das vezes vive com a estima baixa por estar na situação de pessoa com HIV e ainda precisa passar por todo esse constrangimento de atendimento logo na entrada”.

A reclamação do atendimento é repetida por pelo menos outros três usuários do Google:

“Não fui bem atendida pelos funcionários, recepção péssima, a enfermeira antes de eu terminar de perguntar as coisas, desligou o telefone na minha cara, nossa estou decepcionada”. Relatou uma usuária, há 4 meses.

Outras pessoas deram depoimentos positivos sobre o atendimento e ressaltaram a importância do serviço. “Eu amei o atendimento é ótimo” afirmou outro usuário, há sete meses.