Nº 1341 ano 2020
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Mulheres hoje ocupam a maioria dos postos diretivos da Polícia Civil do Tocantins

Presença feminina na Polícia Civil do Tocantins é um dos indicativos que revelam uma significativa incorporação de quadros femininos em funções outrora destinadas quase exclusivamente aos homens

Por: Divulgação
Publicada em: 19/12/2019 8h41min
Atualizada em: 19/12/2019 8h49min
Foto: Divulgação

A participação da mulher em cargos de gestão cresce a cada ano no Brasil. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) em 2017 e divulgados neste ano apontam que 43,8% dos cargos de chefia no País são ocupados por mulheres e que essa participação feminina é maior na administração pública e no setor de serviços. Em números consolidados, esse percentual representa que dos 2,6 milhões de empregos em cargos de chefia registrados na RAIS, 1.143.821 vínculos são de mulheres.

Na análise da RAIS foram consideradas seis ocupações, de acordo com a Classificação Brasileira de Ocupação (CBO): diretores, chefes, supervisores, gerentes, coordenadores e dirigentes. No Tocantins, a participação feminina em cargos de chefia na Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirma essa tendência de crescimento observada na RAIS.

A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins se destaca por ter servidoras mulheres nos principais cargos de liderança e comando. Dos 2.849 servidores da SSP, 1059 são mulheres, das quais 467 são policiais civis e 592 atuam na parte administrativa da Pasta. Do total de policiais civis, 54 são peritas oficiais, 120 agentes de polícia, 139 escrivãs, 66 papiloscopistas, 49 agentes de necrotomia e 39 delegadas.

Para o secretário da Segurança Pública, Cristiano Barbosa Sampaio, a ocupação feminina na Pasta, especialmente nos quadros da Polícia Civil, é um dos indicativos que revelam uma significativa incorporação de mulheres em funções outrora destinadas quase exclusivamente aos homens. Cristiano Sampaio ressalta que no Tocantins, essa presença ainda é mais destacada, pois pelo reconhecimento da competência elas ocupam hoje a maioria dos cargos diretivos da Secretaria da Segurança Pública.

Um destes cargos aludidos pelo secretário Cristiano Sampaio é o de Delegado-Geral da Polícia Civil. Atualmente, o mais alto posto da Polícia Civil está sob o comando da delegada Raimunda Bezerra de Souza. Sob a responsabilidade dela estão a Delegacia de Polícia do Interior (DPI), Delegacia de Polícia da Capital (DPC), Divisão de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado e o Grupo de Operações Táticas Especiais (GOTE), entre outras unidades, incluindo a Superintendência da Polícia Científica. No total, a Delegada-Geral comanda 195 unidades e um efetivo, entre homens e mulheres, de mais de 1.700 policiais.

Para Raimunda Bezerra, estar no mais alto posto da Polícia Civil representa um reconhecimento da sociedade. Segundo ela, por anos a mulher foi percebida como uma reprodutora familiar e hoje a sociedade já a reconhece como fundamental na gestão da família ou administrativamente em postos de trabalho.  

Raimunda Bezerra destaca que a mulher tem um poder sutil, que percebe os detalhes e busca a perfeição. “Esse cuidado é nato da mulher e ela trouxe isso para o Poder Público. Mesclando a sensibilidade, a sutilidade e a perspicácia, a mulher se tornou ponto chave na gestão administrativa da Segurança Pública”, ressalta a Delegada-Geral ao justificar o porquê de ter apontado outras delegadas para importantes postos de comando dentro da Polícia Civil. “São pessoas dedicadas e colocam o trabalho com muita seriedade; são corajosas e resolvem”, disse ela, completando que o empoderamento feminino é hoje é uma tendência mundial e que a mulher não se resume a apenas cuidar da família.

Preconceito

Diretora de Polícia da Capital, a delegada Lucélia Marques, afirma que os preconceitos em relação às mulheres ainda não foram superados. Segundo ela, ainda é possível perceber alguns olhares diferentes, mas aos poucos as mulheres vêm mostrando sua competência e assumindo cargos de comando, “mostrando a todo o momento que somos capazes”.

A frente de inúmeras operações policiais que exigem foco e conhecimento técnico, a delegada-chefe da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), Cínthia Paula de Lima, destaca que a mulher tem sempre que ser mais firme, tudo tem que estar em um grau mais elevado para ela. “A participação das mulheres em posições de liderança tem um olhar diferente, um cuidado diferente, não existe diferença de competência entre homem e mulher e eu não me sinto inferior a nenhum outro comando que eu trabalhe e nem com aceitação dos homens”.

Para a diretora da Dracco, a ocupação de um cargo de gestão pela mulher policial é um desafio, uma responsabilidade e, certamente, um reconhecimento, deixando-a ainda mais focada na busca do sucesso profissional e possibilitando a construção de sua própria história.

Habilidades

Também na Superintendência da Polícia Científica e dos Institutos de Medicina Legal (IML), de Identificação e Criminalística, os cargos de comando estão ocupados por mulheres. Responde pela Superintendência, a perita Nelsiane Martins Parente Azevedo. Para ela, a gestão requer muitas habilidades, as quais a mulher tem facilidade para lidar. “Conseguimos encarar, olhar no olho e, até com certo afeto, fazer o que tem que ser feito, sem impactar”, afirma Nelsiane ao ressaltar que a força física nem sempre é necessária, mas sim a capacidade de administração.

No Instituto de Identificação, a diretora de Papiloscopia, Naídes César Silva, reforça a capacidade feminina nos cargos de comando.  “Sim, as mulheres estão preparadas para ocupar cargo de chefia em poder de igualdade. Isso é uma satisfação, além de deixar mais belo e amável nosso espaço público”.

Para a diretora do Instituto de Medicina Legal (IML), Georgiana Ferreira Ramos, dirigir o IML do Tocantins, com seus oito núcleos, representa um grande desafio e também o rompimento de velhos paradigmas. “Na relação com os subordinados venho conseguindo colocar os trabalhos em ordem respeitando cada um nos seus devidos cargos. Sinto-me feliz e respeitada como mulher e profissional que visa o bom desempenho dos trabalhos prestados por nossa instituição e o bem da sociedade”.

Perita criminal há 15 anos, a diretora do Instituto de Criminalística, Dunya Wieczorek Spricigo de Lima, lembrou que, apesar das mudanças culturais percebidas recentemente, ainda é possível conviver com inúmeras dificuldades no exercício de cargos que, historicamente, foram ocupados por homens, mas que as dificuldades são sobrepujadas quando demonstrada eficiência. “Acredito que tais dificuldades acabam sendo superadas quando desempenhamos nossas atribuições com retidão, liderança, respeito aos colaboradores e capacidade técnica, de modo que quando passamos a demonstrar nossa força e eficiência no exercício do cargo, o gênero deixa de ser um critério de avaliação do serviço realizado”.

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