Nº 1435 ano 2021
Data:

Principal Violência


Mulher com deficiência denuncia que foi agredida por advogada em Porto Nacional

A vítima registrou um boletim de ocorrência e acredita que as agressões foram por ciúmes. Defesa nega que houve agressão.

Por: Primeira Página/Redação
Publicada em: 13/09/2021 18h55min
Atualizada em: 14/09/2021 15h07min
Foto: arquivo pessoal
Ana Cláudia registrou boletim de ocorrência e passou por exame de corpo de delito.

A servidora pública federal Ana Cláudia Rodrigues de 36 anos é deficiente, tem paralisia cerebral, dificuldade de locomoção e atraso na fala. Ela conta que foi agredida pela advogada  Samara de Paula, na última sexta-feira, 10, em um lava-jato em Porto Nacional.

“Eu estava esperando meu carro ficar pronto quando ela me agarrou pela nuca, me arranhou, me deu dois socos no rosto e me derrubou no chão. Ela também me xingava de tudo que é nome”, conta Ana Cláudia.

 

Servidora ficou com hematomas pelo corpo

 

Ana Claudia acredita que foi agredida por ciúmes. “Eu não conhecia nenhum dos dois, mas o esposo dela estava lá, quando ele chegou no lava-jato ele disse apenas um ‘oi’ e ele não fez nada para parar com as agressões”, diz a servidora.

Após as agressões a servidora registrou um boletim de ocorrência e passou por um exame de corpo de delito.

O advogado Wesley Magno representa a advogada Samara de Paula e o esposo, o médico Félix Tadeu Chaves Júnior, que supostamente estão envolvidos no caso. O advogado nega que houve agressão deliberada.

Segundo Magno, Samara e nem Félix conheciam Ana Claudia. Ele conta que Samara foi até o lava jato buscar o esposo. Houve uma confusão entre o casal e após um empurra-empurra, Ana Claudia que estava próxima acabou se machucando.

De acordo com a defesa, os clientes não entraram em detalhes sobre o que motivou a discussão entre os dois.

Em nota divulgada nesta segunda-feira, 13, A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins (OAB/TO)  disse que de imediato, a Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Ordem foi acionada para acompanhar o caso.

A OAB Tocantins ressaltou que é contra qualquer tipo de agressão, física, moral ou psicológica. Diante da gravidade do caso, a Ordem informa que acompanhará o caso por meio da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência e da Comissão da Mulher Advogada e, após apuração e análise, tomará as medidas oportunas e necessárias.

A direção do câmpus da Universidade Federal do Tocantins onde Ana Cláudia trabalha também divulgou uma nota repudiando as agressões sofridas pela servidora. A nota considera o ato como uma “violência covarde e uma situação inaceitável que não existe motivo que a enseje ou justifique”.