Nº 1383 ano 2020
Data:

Principal Eleições 2020


Entrevista com pré-candidatos: Cinthia afirma que trata todos os setores de Palmas de forma igual

Atual prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro (PSDB) é a oitava pré-candidata entrevistada pelo jornal Primeira Página.

Por: Sandra Miranda/Redação
Publicada em: 13/09/2020 22h09min
Atualizada em: 15/09/2020 11h13min
Cinthia Ribeiro (PSDB) é candidata a reeleição em Palmas.

O jornal Primeira Página dá continuidade com sua série de entrevistas junto aos pré-candidatos para a Prefeitura de Palmas. Nessa oitava entrevista, confira as respostas da atual prefeita da Capital, Cinthia Ribeiro (PSDB), em entrevista para a jornalista Sandra Miranda, proprietária e editora do jornal Primeira Página.

Durante a entrevista, o eleitor pode conferir os principais projetos da prefeita, com temas selecionados a partir das maiores demandas que existem hoje em Palmas.

Cinthia Alves Caetano Ribeiro, mais conhecida como Cinthia Ribeiro, é política, fonoaudióloga e filiada ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

A atual prefeita concorreu pela primeira vez nas eleições de 2014 como candidata a vice-governadora na chapa de Ataídes Oliveira, a qual não foram eleitos. Já nas eleições municipais de 2016, foi eleita vice-prefeita ao lado de Carlos Amastha, e em 3 de abril de 2018, assumiu a prefeitura com a renúncia do ex-aliado.

Ao final desta entrevista, o leitor pode acessar os links com as rodadas anteriores de entrevistas.

Confira a entrevista exclusiva abaixo:

Primeira Página - Por que a senhora quer ser reeleita prefeita de Palmas? Fale também da sua história com a Capital do Tocantins.

Cinthia Ribeiro - Estou prefeita de Palmas no momento mais difícil da cidade por causa da pandemia. Num momento que estamos perdendo muitas vidas. Nunca vivenciamos uma grande tragédia, um grande acidente que gerasse tantas perdas. Por isso, a responsabilidade que está sob meus ombros neste momento é muito desafiadora. Ao mesmo tempo, comando uma cidade que experimenta um novo ciclo de desenvolvimento como há muito não se via. Mais de 120 milhões de reais sendo investidos de uma só vez na cidade. Estamos gerando empregos e oportunidades como há muito não se via, e muitos desses projetos não serão concluídos este ano, precisam de continuidade. Eu quero continuar o que comecei, porque foi muito difícil viabilizar estes recursos, recuperar a saúde financeira do Município e colocar esta cidade para funcionar de forma plena. Eu me sinto cada dia mais fortalecida e mais experiente para essa missão e não vejo outros projetos claros como alternativa ao que executamos hoje em Palmas.

Palmas é a cidade que escolhi para viver, como a imensa maioria da população. Conheço o Tocantins inteiro debatendo os seus problemas ao lado do meu ex-marido, o senador João Ribeiro e ele tinha um carinho muito grande com Palmas. Viemos morar aqui quando ele ainda era deputado federal e sempre estivemos no centro dos debates da cidade. Fomos nós que conseguimos muitas das creches de Palmas junto ao governo federal, os recursos para a Ferrovia Norte-Sul, escolas de tempo de integral. E aqui é onde crio o meu filho, João Antonio, desde os seus primeiros dias. Quem me conhece sabe que ele é a minha razão de viver. Eu quero o melhor para ele e tenho a oportunidade de fazer esta cidade melhor para ele e todos os palmenses. É isso que me liga a esse lugar.

Primeira Página - Como a senhora avalia a sua atuação como prefeita de Palmas? 

Cinthia Ribeiro - Eu me esforcei muito para construir um modelo de gestão que resgatasse a importância das pessoas na cidade. A capital do calor humano significa dizer que precisávamos tornar a cidade mais barata para as pessoas viverem e investirem. Com serviços públicos e programas mais acessíveis. Com mais saúde financeira para garantir direitos dos servidores. Com mais capacidade de investimentos para atrair outros investimentos e gerar os empregos que o nosso povo precisa. Uma cidade que se preocupa com a moradia das pessoas. Com a pracinha para os moradores locais, e que trabalhe de forma planejada sem improvisos. Foi assim que, silenciosamente, construímos nossos resultados. Fiz o que outros prefeitos também fizeram, mas procurei ir além e fiz sem precisar criar conflitos. A cidade não conviveu com escândalos, greves e guerras políticas que só prejudicavam a todos. Palmas vem crescendo de forma tranquila, segura e sustentável.

Primeira Página - O que a senhora teria feito de diferente no combate a pandemia do Coronavírus?

Cinthia Ribeiro - Não é segredo para ninguém que a pandemia é algo que nunca tínhamos visto em lugar algum no mundo. A pandemia do novo coronavírus é uma crise sanitária mundial, e nenhum governante no planeta, quer seja municipal, estadual ou federal tinha conhecimento, uma receita ou orientação para gerir essa situação. E conosco não foi diferente. De um dia para outro, contágios, mortes, restrições, isolamento social e uma reviravolta no cotidiano de todos nós. Tivemos que, quase em tempo recorde, tomar decisões e medidas que envolvem a vida e o futuro da população.

Tudo que fizemos até hoje, foi com o objetivo de preservar a vida dos palmenses. Foram muitas medidas restritivas, que não tinham nada de populistas e que desagradaram a muitos. Porém, tenho consciência de que, em todas elas, havia uma tentativa de acertar. Sempre pautada nas orientações dos órgãos de saúde, vigilância sanitária e de controle, mundial e do Brasil.

Primeira Página - Uma demanda importante da cidade está relacionada à saúde e no caso de Palmas, à falta de um Hospital Municipal para atendimentos de alta complexidade, que poderia ter ajudado nesse momento de pandemia. Caso fosse reeleita, a senhora encamparia essa pauta de um hospital municipal?

Cinthia Ribeiro - Como é do conhecimento público, é de responsabilidade dos municípios a Atenção à Saúde Básica, de média e alta complexidade ambulatorial. E cabe aos governos estaduais a Atenção à Média e Alta Complexidade hospitalar. Mesmo assim, nesse tempo de pandemia, por entendermos que a prioridade é a saúde da população, nossa gestão assumiu algumas responsabilidades que não eram nossas. É importante dizer que qualquer equipamento público não se mantém somente com o espaço físico. É necessário que se tenha recursos financeiros, econômicos e acima de tudo, humanos. Profissionais médicos, enfermeiros, técnicos, administrativos que atendam às demandas diárias da saúde pública. Não me furtarei a proporcionar o que de melhor tivermos para que nossa capital seja reconhecida como a capital de todos os tocantinenses, com nota máxima na Saúde, Educação, Segurança, Infraestrutura, qualidade de vida, geração de emprego e renda e tudo mais.          

Primeira Página - Como a senhora está fazendo a sua pré-campanha, e posteriormente a campanha? Por conta da pandemia, o corpo-a-corpo não será mais uma ferramenta de peso para conquistar o voto do eleitor.

Cinthia Ribeiro - É o nosso novo normal. E como em tudo, a partir de agora, teremos que nos reinventar. Estamos diante de outro desafio, uma campanha municipal com apenas 90 dias e que acontece durante uma pandemia. Temos recebido no partido – PSDB Nacional treinamentos, instruções e capacitações virtuais para que possamos chegar ao nosso eleitor, não somente para apresentar nossas propostas, mas nos conectarmos a ele para ouvir e entender suas necessidades.

Primeira Página - Em Palmas, boa parte dos empregos e da economia giram em torno do funcionalismo público, o que leva a série de dificuldades de oferta de oportunidades. Como a senhora poderia resolver esta questão?

Cinthia Ribeiro - O funcionalismo público é parte da economia de qualquer cidade. Não o vejo como um ônus, mas como trabalhadores que ajudam inclusive na dinâmica da economia como um todo, pois consomem serviços e produtos que são ofertados pelo comércio de uma maneira geral. De toda forma, Palmas se tornou uma cidade mais barata para se viver, graças à nossa política de justiça fiscal, e medidas como a que adotamos do imposto justo contribuem para a abertura de novas empresas, o crescimento de outras já existentes... é claro que a pandemia do novo coronavírus afetou a economia global, com perdas em todos os setores, e o funcionalismo público é segmento estratégico para a sustentabilidade dos negócios existentes. Por isso, o nosso esforço em pagar em dia, pagar os direitos, como as progressões e a titularidade, porque sabemos que os servidores são parte vital da engrenagem econômica.

Primeira Página - Que propostas a senhora tem para os produtores da zona rural de Palmas, para que eles passem a ser uma opção para abastecimento da cidade com alimentos como, hortaliças, legumes, dentre outros, já que a maioria ainda vem de outros estados?

Cinthia Ribeiro - O produtor rural, o agricultor familiar recebe um tratamento à altura da nossa gestão, com assistência técnica, transferência de tecnologia, manutenção das estradas vicinais, investimentos como a instalação de um poço artesiano no PA Sítio, que beneficiou dezenas de famílias. Ou seja, estamos criando todas as condições para que o produtor rural possa produzir alimentos para abastecer a cidade e toda a região metropolitana, como já ocorre, uma vez que as feiras e boa parte do nosso comércio oferta ao consumidor a produção de hortigranjeiros desse entorno da cidade.

Primeira Página - A BRK Ambiental tem sido alvo de críticas por diversos setores da sociedade, seja pelo serviço prestado ou pelos valores cobrados do cidadão palmense como a taxa de esgoto, por exemplo. Qual a solução para esse caso? É possível legislar sobre a situação?

Cinthia Ribeiro - O serviço de saneamento na cidade de Palmas é prestado pelo regime de concessão, tendo o Município firmado contrato com a concessionária no ano de 1999. Mas, mesmo sendo uma empresa privada, o serviço nunca deixou de ser público. Embora o serviço de saneamento seja de competência do município, é a União quem legisla sobre os aspectos referenciais. Mas por se tratar de um serviço público, ele precisa ser mais debatido com a população, e é isso que vamos buscar na hora de discutir a definição de tarifas. A participação social é legítima e necessária nesse processo.

Primeira Página - Existe claramente em Palmas uma divisão geográfica, econômica e social entre o Plano Diretor e os bairros que compõem a parte Sul da cidade (Taquaralto, Aureny’s, Morada do Sol e outros). O que falta para os gestores olharem com mais atenção para essa parte cidade? Como a senhora diminuiria essas diferenças?

Cinthia Ribeiro - Nossa gestão trata todos os setores de Palmas de forma igual, como entendemos que deva ser. Aliás, eu diria que fizemos um esforço bem maior pelos bairros mais afastados, resolvendo problemas crônicos, muitas vezes de baixo investimento, mas que tiveram grande impacto para a população local. Cito como exemplo, a pavimentação das Av. Maringá, Londrina e Belo Horizonte, no Aureny IV, cujos moradores aguardaram 25 anos pelo asfalto. Também levamos revitalização e asfalto novo para Buritirana, para os Aureny´s, fora as obras de pavimentação no Jardim Janaína, Setor Lago Sul, Taquari, os distritos industriais nas quadras 212 Norte, 212 Sul e 812 Sul, as quadras residenciais Arne 53 (408 Norte) e Arne 64 (508 Norte), a Avenida Palmas Brasil Norte, além de obras complementares para valorizar e dar qualidade de vida a todos os moradores da cidade.

Primeira Página – Em Palmas, vem ocorrendo mortes de ciclistas em rodovias de acesso à cidade. Então, como trazer mais segurança para esse meio de transporte, que inclusive, ganhou muitos adeptos na Capital como forma de atividade física?  É possível a criação de um espaço destinado à prática?

Cinthia Ribeiro - Infelizmente a imprudência no trânsito é um fator que contribui, e muito, com os índices de mortalidade em todo o país. Enquanto proposta de governo é necessário lembrar que os ciclistas, que hoje se multiplicaram em nossa capital, não se limitam somente aos praticantes de esporte e lazer. Temos uma parcela considerável de trabalhadores que utilizam a bicicleta como transporte para o trabalho. E também para eles nós governamos. Por isso, é importante que as vias públicas sejam adaptadas para esse tipo de transporte, porém, mais do que isso, a educação no trânsito é fundamental para a segurança do cidadão, inclusive dos ciclistas.

Primeira Página - O transporte coletivo de Palmas enfrenta críticas do usuário há muito tempo, mas nenhuma medida efetiva já foi tomada por gestores da Prefeitura de Palmas. Que proposta a senhora teria para sanar essa situação?

Cinthia Ribeiro - Em Palmas o sistema de transportes possui três empresas sob concessão do Município. Ao final dos contratos com essas empresas no ano de 2021 a Prefeitura fará novo processo licitatório, para a contratação dessa prestação de serviço, mas esse processo será precedido de amplo debate com a população, embora a discussão da tarifa já seja discutida com uma câmara que conta com mais de 30 entes, dentre eles a OAB, a DPE, o MPE e vários grupos de usuários, mas é certo ampliar esse debate para mais grupos de interesse, e é isso que iremos fazer.

Primeira Página - E sobre a redução da carga tributária de Palmas, incluindo impostos como o IPTU, por exemplo, há disposição para tentar resolver isso, caso seja reeleita?

Cinthia Ribeiro - Desde abril de 2018, quando assumi a prefeitura, venho propondo a redução de impostos e extinção de taxas. Enviei um PL à Câmara de Vereadores com a Nova Planta de Valores Genéricos, que reduziu o IPTU e consequentemente, o ITBI. Ainda em 2018 propus a extinção do IPTU progressivo implantado de forma exagerada pela gestão anterior. Extingui, em 2019, a taxa de expediente e promovemos o maior REFIS da história do município. Estamos com mais de 20 mil contribuintes isentos no IPTU de imóveis de baixo valor e até 80% de desconto para quem implantar energia solar. Na recente pandemia prorrogamos prazos tributários, impostos e taxas e alvarás, suspendemos protestos e execuções, bem como, recentemente, ampliamos os parcelamentos tributários. Estabeleceu-se neste pouco tempo a justiça fiscal, respeitando a capacidade contributiva das pessoas físicas e jurídicas.

Outras Entrevistas

Confira aqui a primeira entrevista, publicada na segunda-feira, 31, com o ex-reitor da Universidade Federal do Tocantins (UTF), Alan Barbiero (Podemos).

Clicando aqui, o leitor acessa a segunda entrevista, publicada na terça-feira, 01, com o empresário Gil Barison (Republicanos).

Acesse aqui a terceira rodada de entrevistas, feita com o pré-candidato Marcelo Lelis (PV).

Confira aqui a quarta rodada de entrevista com o pré-candidato Eli Borges (SD).

Leia aqui a quinta rodada de entrevista com o pré-candidato Júnior Geo (PROS).

Confira a sexta entrevista com o vereador de Palmas, Milton Neris (PDT).

Acesse aqui a sétima rodada de entrevistas, feita com a pré-candidata e atual deputada estadual, Vanda Monteiro (PSL).