Nº 1416 ano 2021
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Principal Cultura


Culinária vegana em Palmas, pratos parecidos, gostos diferentes

Desde prêmios de culinárias regionais até o coração de clientes, a culinária sem produtos de origem animal tem alcançado sucesso em Palmas.

Por: Karina Custódio/Redação
Publicada em: 03/05/2021 15h27min
Atualizada em: 03/05/2021 15h56min
Foto: Arquivo Pessoal
Tom Marinho, chefe no Temperança.

“Qual é o seu prato preferido?” No veganismo e vegetarianismo a resposta para essa pergunta excluem, completa ou parcialmente, qualquer receita que tenha produtos de origem animal. Em Palmas a culinária vegana e vegetariana está presente não apenas em residências isoladas, mas também em restaurantes consolidados, há quase uma década.

O restaurante Temperança é um dos pioneiros na produção de pratos sem carne, e Tom Marinho, o seu fundador, conta como ele surgiu há seis anos: “Antes de ter o Temperança, eu já fazia pratos veganos e vegetarianos, e depois eu vi a demanda que Palmas já tinha mesmo seis anos atrás e então eu comecei a trabalhar com a marmitaria e hamburgueria a noite, surgindo daí o Temperança com placa e tudo”. Hoje o chef trabalha em sociedade com o responsável pelos pratos doces, Thiago Rodrigues.

Vegana há dois anos, Juliana Ramos não deixou de consumir os pratos do Temperança nem durante a pandemia, foi lá que ela experimentou o seu primeiro hambúrguer vegano antes mesmo de adotar a dieta, e até hoje o hambúrguer tradicional do restaurante é seu prato preferido.

O menu do Temperança está sempre mudando; de acordo com Tom o cardápio é alterado com a estação de modo a aproveitar as frutas e legumes da época, e um dos pontos centrais do estabelecimento é a sua referência a pratos e ingredientes regionais. Como o “Cake broca do Toca”, uma produção especial feita de cajá, recheada com chocolate e coberta com chantili de buriti, o bolo ganhou o primeiro lugar na categoria doce do Festival Gastronômico de Taquaruçu em 2020, sendo a primeira vez que um prato sem produtos de origem animal ganhou um prêmio na competição.

O “Cake broca do Toca”, a receita rendeu um prêmio de 6 mil reais para o restaurante. fonte: Divulgação Instagram do Temperança.

Mais novo no mercado, o Ankers Bistrô foi criado com o propósito de proporcionar uma experiência para os seus clientes, com “a desmistificação de que para um prato de comida ser bom tem que ter carne”, a frase é da proprietária Luciely de Oliveira. Para ela, a culinária vegana é um universo a parte. “Nela, podemos sair do trivial e ousar. Fazer combinações de ingredientes que na culinária tradicional a gente não faz” enfatiza a também chef do restaurante.

Além de explorar esse universo a parte, o Ankers Bistrô veste a camisa do veganismo, e para incentivar a redução do consumo de animais como alimentos, o estabelecimento adota o movimento “segunda sem carne”, neste dia a refeição é mais barata que nos outros dias. Luciely de Oliveira usa até mesmo o nome dos seus pratos para fazer brincadeiras com o estranhamento que as pessoas não veganas tem com a dieta, a exemplo dos sanduíches “E as proteínas?!” e “Nem peixe?!”.

O prato “Nem peixe?!” é o preferido da Jamile de Oliveira no Ankers Bistrô, mas ela relata que frequenta tanto o Temperança quanto o Ankers Bistrô. “No temperança meu prato favorito é o hambúrguer tradicional que é feito de soja, e no Ankers Bistrô meu prato preferido é o sanduíche ‘Nem peixe?!’. Os dois hambúrgueres são muito bons, eles têm um sabor agridoce, no caso do hambúrguer tradicional do Temperança tem um saborzinho bem defumado. São pratos que recomendo bastante para quem quer conhecer a culinária vegana”, indicou Jamile.
Com dois anos de existência, o Ankers Bistrô tem dezenas de pratos e assim como o Temperança se preocupa não só em não ter produtos de origem animal, mas também em ser o mais saudável e saboroso possível, provando que a culinária vegana palmense pode se reinventar e ser tão diversa quanto a tradicional.

Saiba Mais

Cajá
De sabor ácido e cor amarelo alaranjada a fruta cajá é típica das regiões norte e nordeste e é rica em vitamina A, cálcio e betacaroteno, o que ajuda na prevenção de doenças cardíacas e osteoporose. No Tocantins, ela é bastante usada para produzir sucos, mas além dessa bebida é possível também fazer, como o Temperança, bolos, caldas, raviólis e até caipirinha de cajá.
Fonte: Cerratinga e Ciências Médicas Hoje

Buriti
Típica do cerrado, o buriti é rico em vitamina C e é uma das frutas que mais concentra vitamina A em todo o mundo, de quebra o fruto do buritizeiro tem propriedades antioxidantes que previnem o câncer. Também conhecido por seu sabor mais ácido, o buriti vira doce, risoto, paçoca e vários outros pratos!
Fontes: Cerratinga e AMDA

Nem peixe?!
Todo vegano e vegetariano é interpelado com esta pergunta em algum momento da sua trajetória, isso porque na cultura brasileira carne mesmo é a vermelha, e aí fica a dúvida quando os que adotam as dietas dizem que não consomem carne, “mas nem peixe?!”

E as proteínas?!
Na escola, a maior parte das pessoas aprende que as proteínas, essenciais para a saúde, vem apenas dos animais, as leguminosas e oleaginosas são esquecidas, mas não na culinária vegana, e o sanduíche “E as proteínas?” vem responder à pergunta de não-vegetarianos curiosos, afinal os pratos do Ankers Bistrô e do Temperança são recheados de grão-de-bico, lentilha, ervilha, castanhas e outros ingredientes que prometem fornecer todas as proteínas necessárias.