Nº 1318 ano 2019
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Principal Previpalmas


Obras no Cais Mauá seguem paradas e governo gaúcho cobra esclarecimentos

As obras no Cais Mauá seguem paradas. No local, conforme apurado pelo jornal Primeira Página, não existem homens e nem maquinas trabalhando. O mato tomou de conta do local, e segue fechado por cercas espalhadas no entorno do Cais.

Por: Redação Primeira Página
Publicada em: 11/02/2019 11h02min
Atualizada em: 15/02/2019 16h40min
Foto: Divulgação
O megaprojeto Caia Mauá recebeu R$ 30 milhões do Previpalmas no final de 2017, mas até o momento não há sinais de avanço.

O maior investimento realizado pelo Instituto Previpalmas ocorreu no Rio Grande do Sul. Foram R$ 30 milhões destinados ao Cais Mauá, uma área gigantesca de 181 mil m² – e centenária - situada no coração de Porto Alegre. O referido cais é patrimônio material e cultural da capital gaúcha, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A prefeitura local concedeu as licenças para início das obras em dezembro de 2017, mesma época em que os recursos do Previpalmas foram parar no Cais Mauá. O orçamento do projeto ultrapassa os R$ 500 milhões, e compreende, além da recuperação dos armazéns históricos, a construção de torres comerciais, shopping centers e grandes estacionamentos para veículos.

As obras no Cais Mauá seguem paradas. No local, conforme apurado pelo jornal Primeira Página, não existem homens e nem maquinas trabalhando. O mato tomou de conta do local, e segue fechado por cercas espalhadas no entorno do Cais.

Obstáculo

Com a liberação das licenças em 2017, o projeto teve um breve início. Em fevereiro de 2018, a gestora do novo Cais Mauá iniciou a limpeza e cercamento do local, mas logo em abril surgiu a operação Gatekeepers da Policia Federal, que espantou investidores e paralisou todos os serviços.

Uma das antigas gestoras do Fundo foi alvo da operação, trata-se da Icla Trust, ex-NSG Capital, responsável por gerenciar a captação de recursos do projeto até o mês de fevereiro. A empresa foi apontada como suspeita de irregularidades em fundos alheios ao Cais. Trata-se da mesma envolvida no escândalo do Igeprev, o Instituto de Gestão Previdenciária do Tocantins, ocorrido quase uma década atrás.

Aperitivo

Para amenizar a imagem negativa que se formou entorno do projeto, a mais nova gestora do Cais, a LAD CAPITAL, informou no final de 2018 que até março desse ano irá apresentar uma prévia do projeto. Trata-se de um “aperitivo”, uma estrutura provisória, que segundo fontes locais pesquisadas pelo jornal Primeira Página, serve para tentar angariar novos investidores ao projeto e dar uma resposta a sociedade gaúcha que cobra resultados no Cais Mauá. As obras deveriam ter começado em novembro, mas o combinado não ocorreu.

Ideia antiga

A ideia de reformar o Cais Mauá existe há pelo menos três décadas, mas foi apenas em 2010 que a gestão estadual, através da governadora Yeda Crusius (PSDB), optou por entregar a gestão do Cais para a inciativa privada, no prazo de 25 anos, com a contrapartida de revitalização de toda a área histórica, que há anos vinha em processo
de degradação.

Repercutido na imprensa gaúcha na última semana, o atual governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), confirmou que irá se reunir com representantes do Cais Mauá nos próximos dias para cobrar da concessionaria um prazo de início das obras e a apresentação de um cronograma.

Em declaração a imprensa local sobre o Cais, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Dirceu Franciscon, afirmou que “a ideia é assistir a uma apresentação sobre o projeto, mas também cobrar que ele tenha início de fato. Por enquanto, não tem nada lá (na área do Cais) ainda. Se isso não ocorrer, poderemos começar a pensar em impor sanções previstas em contrato”.

Respostas

O jornal Primeira Página entrou em contato com a assessoria do Cais Mauá do Brasil para obter respostas quanto a destinação dos recursos investidos pelo Previpalmas, mas não houve resposta. Quanto ao valor total já captado pelo fundo de investimento, também não houve resposta. Sobre a CPI aberta na Câmara Municipal e aos atrasos nas obras, também não foram enviadas respostas. O espaço para manifestação segue aberto. 

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