Nº 1312 ano 2019
Data:

Principal Entrevista


"Objetivos foram atingidos", afirma César Halum sobre Agrotins 2019

A 19ª edição da Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins, a Agrotins, chegou ao fim e o secretário estadual da Agricultura, Pecuária e Aquicultura (Seagro), César Halum, falou em entrevista exclusiva ao jornal Primeira Página, sobre os resultados da maior feira do segmento da região norte do Brasil, assuntos como a agricultura familiar e a produção de Tilápia, além de abordar as novidades, os avanços e o que o agronegócio do Estado pode esperar para este ano de 2019.

Por: Redação
Publicada em: 13/05/2019 14h12min
Atualizada em: 13/05/2019 14h13min
Foto: Primeira Página
Secretário César Halum está satisfeito com 19ª edição da feira

Primeira Página - Qual avaliação o senhor faz dessa 19ª edição? A Agrotins 2019 conseguiu alcançar o objetivo traçado, no que diz respeito a estrutura, resultados, visitantes e expositores?
César Halum - Sim, antes de iniciar a feira nós tínhamos expectativas. Hoje nós temos certeza de que os objetivos foram atingidos. O primeiro grande objetivo da feira é a transferência de tecnologia. Nós temos que aproveitar aquilo que foi novidade e resultados de pesquisas feitas no ano anterior, para difundir essas tecnologias aos nossos produtores rurais e nós temos uma preocupação muito grande com a agricultura familiar. Por isso nós trouxemos para cá, quatro mil agricultores familiares, que vieram dos 139 municípios do Estado. Eles foram pré-selecionados pelo Ruraltins, e nós disponibilizamos 90 ônibus para trazer esse pessoal. Então, eles estão aqui recebendo capacitação teórica e prática. Nós temos 90 hectares de plantios experimentais, que servem para eles conhecerem as técnicas de plantio, de manejo e de colheita. Essa parte está sendo muito bem-sucedida. Nós temos mais de 80 palestras que estão sendo dadas nos quatro auditórios da feira durante todos esses dias, portanto, há uma certeza absoluta de que a satisfação e o conhecimento adquirido vão ajudar muito o Estado.

Por outro lado, a expectativa de comercialização. Porque todo mundo fala em feira e pergunta se vendeu bem. O evento acaba sendo uma feira de negócios. Isso depende muito do momento, de como está a economia do país. Nós que trabalhamos com o crescimento da agricultura e principalmente, que é o nosso produto chamativo, que é a soja, um commodities, ela depende muito da bolsa de Chicago (USA). Se o preço lá estiver bom, o produtor que está estimulado vai comprar trator novo, colheitadeira nova. Mas se o preço estiver ruim, ele não vai comprar. Então nós temos essas variações. Mas isso varia de um dia para o outro. Então aqui na feira nós já iniciamos com a soja de um preço e hoje está bem abaixo, amanhã está melhor e isso vai acontecendo. Mas pelo o que os bancos, as instituições financeiras têm manifestado, e os expositores de máquinas agrícolas e de veículos leves estão dizendo, estão extremamente satisfeitos. E sabemos que se quem vende está satisfeito, é porque a coisa está boa.

Primeira Página - Uma novidade neste ano foi a programação voltada para a agricultura familiar, uma peça fundamental em todo esse contexto, inclusive, o governo entregou títulos de regularização paroquial para várias famílias nessa semana, na Agrotins. Como será a gestão do governo Carlesse para atender esse público, que sente falta de espaço dentro do agronegócio?
César Halum - Nós temos que fortalecer a assistência técnica e a extensão rural. Esse é um ponto e o maior desafio que nós temos. Nós ainda pecamos muito na assistência técnica. Temos bons técnicos, mas falta talvez as condições de mobilidade deles junto aos proprietários rurais, aos pequenos produtores. Hoje nós não estamos tendo praticamente recurso nenhum do governo federal. O Estado arca com a folha de pagamento que é pesada e não podemos pedir ajuda aos municípios, porque estão todos com dificuldades. Então esse custeio dessa movimentação dos técnicos, tem sido um fator de dificuldade, mas que nós vamos resolver, procurando algumas outras parcerias, procurando prestar serviços para alguns outros grupos, que não seja a agricultura familiar, para que com esses recursos, nós tenhamos a condição de atender. Nós temos a consciência que precisamos melhorar a assistência técnica.

Primeira Página - O programa Tilapiatins é uma grande aposta do governo estadual. Que mensagem o senhor tem a dizer para o produtor, como um incentivo para abraçar a produção dessa espécie? Quais os benefícios que a Tilápia pode trazer para o estado?
César Halum - A Tilápia é aguardada com muita expectativa pelo piscicultor tocantinense. Primeiro porque a Tilápia é um commodities hoje. É um peixe consumido no mundo inteiro, é um peixe originado da África, ele veio do Egito e sofreu várias mudanças genéticas e é um peixe que evoluiu muito. E o mundo passou a consumir a carne de Tilápia porque, primeiro, é um peixe precoce, ou seja, com seis meses de idade ele já está pronto para o abate e rende um filé de 800 gramas, que é o padrão das indústrias. Então isso é uma vantagem. Segundo, ele é um peixe altamente fértil. A reprodução da Tilápia é muito intensa e, portanto, ele dá um lucro maior porque tem o maior número de alevinos que são produzidos. E um terceiro ponto é excelente. Toda mãe gosta, porque quando se faz um peixe em casa e tem criança, a maior preocupação é para não engasgar e Tilápia não tem espinho. Esse é o peixe que todo mundo quer consumir. Então a expectativa é essa. Produzir a Tilápia. Evidentemente que isso não se faz do dia para noite e com um estalar de dedos. É preciso ter conhecimento, estudar, ter um capital para iniciar um projeto desses e é ter mercado. E isso nós vamos ter, porque a partir dessa liberação de criação de Tilápia no Estado, certamente os frigoríficos vão começar a se instalar por aqui e nós teremos essa saída. Nós acreditamos muito que a Tilápia vai melhorar a renda do tocantinense.

Primeira Página - A Agrotins sempre trouxe a parceria com instituições financeiras para oferta de créditos em condições especiais. Qual a importância desse tipo de financiamento para o produtor, seja para os pequenos ou os grandes?
César Halum - As instituições financeiras são a base de tudo. Agricultura e pecuária se faz com crédito. Então é preciso ter alguém que empreste o dinheiro e que espere um determinado tempo para que a pessoa possa pagar a conta. Por exemplo, na pecuária ele dá um empréstimo e deixa dois anos de carência. É para o produtor comprar uma vaca, ela será emprenhada, vai passar nove meses de gestação, vai parir, o bezerro depois de oito meses desmama e só então o bezerro é vendido para poder pagar a parcela do empréstimo. Então é preciso ter carência. Esses bancos são importantes para que haja o tempo necessário do financiamento. E os juros tem que ser baixos. Porque a margem de lucro no setor é baixa. Apesar da pessoa ver essa movimentação grande, que tal fazendeiro está com uma caminhonete, falar que está rico, tem trator, mas é tudo financiado. Se um ano não der chuva ou chover demais e o produtor tiver prejuízo na lavoura, ele não paga a prestação. A margem de lucro é baixa, então ele precisa ter também dinheiro emprestado com o juro mais baixo. É por isso que o governo às vezes subsidia o juro, porque é a forma que nós podemos competir lá fora. Porque no mercado no exterior, os Estados Unidos protegem o seu produtor, a França protege seu produtor e o Brasil também tem que fazer alguma coisa, por isso o juro baixo é o mínimo que nós podemos fazer. Nós estamos satisfeitos, porque aqui na Agrotins, várias instituições financeiras, que nunca estiveram aqui para apoiar o produtor rural, estão aqui esse ano. É um sinal de que eles perceberam que o mercado agrícola é bom e bastante fértil para eles emprestarem dinheiro. É por isso que nós achamos que uma oferta de mais de R$ 2 bilhões de crédito aqui, pelas instituições, será consumida. Porque as pessoas têm interesse em comprar. As fábricas baixam seu preço, porque é uma oportunidade maior.

Primeira Página - Mesmo diante de um cenário de crise econômica, a Agrotins torna-se um bom investimento para o estado, inclusive, existe a expectativa de arrecadação de 80 milhões em ICMS com as transações feitas durante a feira. Como foi o desafio para elaborar o evento esse ano? Na sua opinião, qual o principal diferencial dessa edição para as anteriores?
César Halum - Foi muito difícil, porque a crise é grande e tem dificuldade. O Estado sempre foi o organizador da feira, nós não podemos transferir isso para a iniciativa privada, porque eles ainda não estão prontos para isso. Se nós privatizarmos uma feira dessa, serão cobrados ingressos caros, estacionamento caro, o alimento aqui dentro fica mais caro, então nesse início em que o Estado está experimentando o seu momento de crescimento, nós não podemos impor nenhum sacrifício a ninguém. Então o Estado vem se sacrificando para isso. Mas as vezes o Estado gasta um dinheiro, que muitos falam que é uma despesa em momento de crise. Não, o Estado está fazendo um investimento. Porque o retorno que vai nos dar em ICMS pela comercialização de produtos aqui é certamente vinte vezes maior do que se gastou para fazer a feira. Quiçá se pudéssemos fazer uma feira todo mês.

Primeira Página - Em comparação aos anos anteriores, o que o senhor pode apontar de evolução nessa edição da Agrotins?
César Halum - Eu acho que as pessoas estão percebendo isso a olho nu. No momento em que se entra no parque, já tem um impacto. Nós abrimos uma nova avenida, readequamos a feira, passamos a ter 30% a mais de espaço. Quem entra na feira agora vê o lago, porque nós desobstruímos o fundo, que foi um passo importante. Todos esses espaços foram ocupados por grandes empresas que investiram na instalação. Você observa os stands mais modernos, mais bonitos. Nós readequamos a feira, como se fosse um supermercado. No supermercado tem o setor de verdura, de carne, de material de limpeza, de eletrodoméstico e aqui nós temos o setor de máquina pesada, o setor de veículos leves, de bancos, da piscicultura, da pecuária. Com isso, nós conseguimos otimizar o tempo das pessoas dentro da feira e fazer com que obtivesse melhores resultados. Além dessa evolução e mudança, acho que nós inovamos muito na forma de atrair o público para a feira. Principalmente o público jovem. Nosso Estado é rural. Mesmo as pessoas que moram na zona urbana, tem algum tipo de ligação com a zona rural. Por isso estamos fazendo um trabalho muito grande com as escolas, trazendo principalmente os mais jovens.

A feira inovou muito e em termo de tecnologia, foram realizadas 80 palestras, todas elas de temas que eram demanda dos produtores rurais. Por exemplo, aqueles que queriam saber porque a aflatoxina prejudica a vida do milho, então trouxemos um técnico da Embrapa para isso, de universidades renomadas do país, então eu acho que o nível de conhecimento técnico está bom, o nível de comercialização está bom, o público também está bom e festa se faz com muita gente. Esse ano foram mais de 600 expositores.

Primeira Página - Existe algum planejamento que já está sendo feito para a 20 edição da Agrotins que o senhor pode nos antecipar?
César Halum - Planos tem, mas a política não é estática. É muito dinâmica, então nós nem sabemos se seremos nós que estaremos aqui para organizar a feira no próximo ano. Mas evidentemente que existe uma equipe dentro da secretaria que é estável, os servidores concursados e que trabalham conosco e que certamente as ideias já estão implantadas e os planejamentos já estão acontecendo, para que nós tenhamos uma feira cada vez melhor. Eu acho que é obrigação nossa, a feira do ano de 2020 ser melhor do que a de 2019.

Primeira Página - O que os produtores rurais podem esperar do governo estadual para o setor do agronegócio esse ano? Qual será a prioridade?
César Halum - A prioridade é garantir a eles, uma tributação justa dos seus produtos. O governador Carlesse está dando a garantia que alíquota de ICMS do Tocantins não será maior do que nenhum outro Estado da federação. Nós vamos trabalhar sempre com a alíquota que permite eles terem margem de lucro, que não sacrifique a comercialização. Pode ter a certeza de que o governo é aberto ao diálogo com todos eles. É a primeira vez que o governador monta o seu gabinete na feira e atende e despacha daqui. Então tem gente que está há dois meses esperando, uma audiência com o governador e fala com ele no meio de uma rua da feira. Então eu acho que isso é uma coisa que facilita o diálogo, facilita o entendimento e a aproximação. E ele também é produtor e sente esse problema, conhece. Então eu acho que a rapidez das decisões é que vai ser o que mais o produtor tem nesse momento.

Comentários

Deixe um comentário