Nº 1323 ano 2019
Data:

Principal VENDA DE VEÍCULOS


Golpe na internet faz quase 100 vítimas só no primeiro semestre em Palmas

A delegada Cinthia Paula Lima, titular da DRCC, informou que os golpes são realizados por meio de sites de divulgação de vendas de veículos, onde os estelionatários buscam dados pessoais, informações do produto e abrem um novo anúncio.

Por: Cyntia Miranda
Publicada em: 12/08/2019 6h05min
Atualizada em: 16/08/2019 14h30min
Foto: Lia Mara
Delegada orienta vítimas do golpe a procurar a Delegacia de Crimes Cibernéticos em Palmas

No primeiro semestre deste ano em Palmas, aproximadamente cem pessoas foram alvos de um golpe de falsa compra e venda de veículos na internet, provocando prejuízos financeiros a essas vítimas. Os dados são da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC), na capital.

De acordo com a delegada Cinthia Paula Lima, titular da DRCC, os golpes são realizados por meio de sites de divulgação de vendas. Ela explica que os estelionatários usam esses sites para buscar dados pessoais, além de informações do veículo e telefones de contato. Com isso, o criminoso “faz uma nova postagem da venda do veículo e faz contato com o proprietário do veículo e a pessoa interessada na compra, passando a intermediar uma negociação entre proprietário do veículo e o comprador, criando vínculos de confiança e passa a envolver as vítimas na execução do golpe, inventando histórias e faz as vítimas omitirem informações fazendo com que o comprador deposite os valores referentes à aquisição do veículo na conta bancária indicada pelo estelionatário, assim aplica o golpe causando o prejuízo financeiro”, explicou a delegada.

A titular da DRCC informou que esse tipo de golpe configura crime de estelionato, que é quando uma pessoa usa o engano ou a fraude para levar vantagem sobre alguém. Além do crime patrimonial, que de acordo com a delegada, configura-se quando existe o “uso de artifício ardil para convencer a vítima a entregar-lhe algum bem e, com isso, locupletar-se ilicitamente e é previsto no código penal: Dispõe o artigo 171, caput, do Código Penal: “Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa,[...]”, detalhou Cinthia Paula.

A defesa

A delegada Cinthia Paula, titular da DRCC, explica que a pessoa que for vítima desse tipo de golpe, deve imediatamente entrar em contato com a agência bancária, para tentar evitar que o dinheiro seja disponibilizado para o estelionatário.

O próximo passo é procurar a delegacia de cidade em que reside e no caso de Palmas, buscar a Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos e lembrar de reunir todos os documentos que possam instruir as investigações. 

Empresário tem prejuízo de R$ 27 mil  

O empresário Franco Bucar, que trabalha com venda de veículos novos e usados foi uma dessas vítimas ainda no ano passado (2018). De acordo com ele, um homem ligou no telefone fixo da empresa, oferecendo um veículo para venda e ele aceitou comprar e a história contada pelo criminoso, foi exatamente como a delegada titular da DRCC explicou que acontece.

“O homem falou que iria pedir a cunhada para ir mostrar o carro para mim. Eu perguntei se ele viria também, mas ele falou que estava em viagem. Eu falei então que só compraria se o próprio dono me mostrasse o veículo e ele falou que o carro estava no nome da cunhada e ela mesma iria mostrar o carro para mim, então eu aceitei. Pouco tempo depois a moça veio. Ela chegou, parou o carro na porta do meu estabelecimento e eu perguntei como era o negócio e ela respondeu que era tudo com o cunhado e que eu poderia olhar o veículo. Quando ele me ligou mais uma vez, falou que não era para eu falar de valor com ela, que tudo se resolveria com ele. Quando perguntei a mulher sobre o valor, ela confirmou a versão de que isso só seria tratado com o cunhado” relatou Franco.

A vítima, Franco, voltou a entrar em contato com o suposto vendedor do carro para negociar o valor da compra e o estelionatário pediu R$ 30 mil. O empresário então informou que pagaria R$ 27 mil e o homem aceitou a proposta, fechando o acordo.

“Ele me passou o número da conta e eu falei para a moça que precisava autenticar o DUT (Documento único de Transferência) para mandar o dinheiro para a conta. Então fomos para o cartório, ela preencheu o DUT e autenticamos para o meu nome. Logo depois eu questionei sobre a transferência e ela respondeu que poderia mandar o dinheiro para o cunhado”, contou o empresário, acrescentando que após a transferência dos R$ 27 mil, ele e a suposta cunhada do vendedor do veículo, voltaram para o estabelecimento comercial de Franco, onde ela decidiu permanecer até que o “cunhado” confirmasse que o dinheiro havia caído na conta.

Mas de acordo com o empresário, a transação bancária foi feita na Caixa Econômica Federal e a instituição costuma bloquear por 48h valores acima de R$ 5 mil, vindo de uma nova conta, por questão de segurança. Com a demora, Franco conta que a mulher começou a ficar nervosa e foi quando ele, percebendo que a situação estava fora do normal, decidiu acionar a polícia. E a partir de daí o golpe veio à tona.

“A Polícia Civil veio até o meu estabelecimento comercial e nos chamou para a delegacia. Chegando lá, ela começou a chorar, falando que tinha conhecido a pessoa pela OLX e que essa pessoa falou outra história para ela. O homem falou que tinha negócios comigo, com a garagem de carros e que não era para ela tratar de valores comigo, mas que se eu ficasse com o carro, ele pagaria R$ 32 mil no veículo dela, sendo que o anúncio dela era por R$ 30 mil na OLX. Como ela queria ganhar vantagem, achando que o homem iria pagar R$ 2 mil a mais no carro dela, ela trouxe o veículo e se passou por cunhada do estelionatário”, lamentou Franco Bucar.

O caso segue em investigação na justiça e de acordo com o empresário, ainda não foi realizada audiência. Franco conseguiu recuperar o dinheiro dias após o golpe, levando o Boletim de Ocorrência para a superintendência da Caixa Econômica Federal e a instituição bancária estornou a quantia de R$ 27 mil para a vítima.

Alerta

A delegada titular da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos deixou ainda o alerta aos cidadãos, com relação ao uso das redes sociais e internet, para a realização de negócios, já que esse não é o único golpe que vem sendo aplicado pelos criminosos.

“São inúmeros os tipos de golpes aplicados no meio virtual e cada dia surge um novo. Por isso é sempre bom estar atento e usar a redes sociais e sites com muito cuidado e nunca esquecer que o ambiente virtual não é um lugar seguro. Esteja sempre atento!”, finalizou Cinthia Paula Lima. 

 

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