Nº 1318 ano 2019
Data:

Principal DESVIOS NO PREVIPALMAS


CPI ouve depoimento de peça-chave sobre aplicações fraudulentas

Empresário preso no Pará falou em depoimento aos vereadores da Capital que o ex-presidente do Previpalmas, Max Fluery, teria repassado propina ao "chefe" e que a intenção era promover investimentos fraudulentos na ordem de R$ 200 milhões.

Por: Rafael Miranda / Redação
Publicada em: 13/05/2019 6h19min
Atualizada em: 15/05/2019 16h51min
Foto: Divulgação
Carlos Amastha é citado em depoimento da PF em Belém

Um depoimento dado a Policia Federal em Belém (PA) no ano de 2018 pode se tornar revelador para as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito do Previpalmas, a partir de informações que foram apresentadas pelo empresário Elton Felix Gobi Lira, que se encontra preso na capital paraense.

Vereadores membros da CPI do Previpalmas foram até Belém-PA, para questionar Elton Lira, que está preso, sobre as afirmações ditas por ele à Polícia Federal no ano passado, de que o ex-presidente do Previpalmas, Max Fleury, foi o responsável pelas aplicações irregulares. Elton também falou aos vereadores que Fleury teria repassado uma comissão (propina) dos investimentos feitos para o “chefe”. O prefeito de Palmas na época era o Carlos Amastha.

O empresário está preso por fazer parte de um esquema que desviou recursos de fundos de previdência em vários municípios espalhados por Brasília, Pará, Santa Catarina, Amapá e Tocantins, e também aplicava golpes em vítimas onde prometia multiplicar o dinheiro com aplicações na bolsa de valores que nunca existiram.

Na capital Palmas, Elton chegou através da Êxito Assessoria, empresa que presta serviço de consultoria para o mercado financeiro e que em 2015 foi contratada pelo Previpalmas através de um processo licitatório. Foi a partir desse contrato que Elton se aproximou da gestão municipal, apresentando vários projetos de investimentos, entre eles o Cais Mauá, que recebeu dois anos depois de sua visita, investimentos de R$ 30 milhões oriundos da aposentadoria do servidor municipal.

Em seu depoimento no ano de 2018, Elton informou que as propinas pagas pelos investimentos feitos com o Previpalmas no Cais Mauá ocorreram na sede da Icla Trust, no Rio de Janeiro, e que estavam presentes para receber o dinheiro, Guilherme Amastha, filho do ex-prefeito Carlos Amastha, Max Fleury e Paulo José de Lima, representante do Cais. A Icla é a mesma empresa envolvida no escândalo do Igeprev, cujo rombo chega em R$ 400 milhões.

Quando questionado sobre essas informações, os vereadores da CPI perguntaram se o tal “chefe” citado por ele seria o ex-prefeito Carlos Amastha, mas Elton Lira respondeu apenas um “pode ser”, conforme esclarecido pelo advogado de Amastha, Leandro Manzano, que acompanhou o depoimento na semana passada.

“Depois de muita insistência, o Gobi Lira [Elton] soltou apenas um ‘pode ser’, mas ficou claro que ele não sabia de quem se tratava”, falou o advogado em entrevista ao Portal CT na quarta-feira, 08.

No depoimento da última terça-feira, ainda foi informado por Elton Lira que havia o interesse de realizar operações irregulares no Previpalmas no valor de R$ 200 milhões, em fundos “podres”, onde seria possível operar o esquema, desviando parte como propina e comissão.

O jornal Primeira Página entrou em contato com a assessoria do ex-prefeito Amastha para solicitar um posicionamento quanto as declarações envolvendo ele e seu filho, mas até o fechamento dessa reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto.

Empresário fala em interferência da prefeitura no Previpalmas

Outra informação de relevância dada pelo empresário Elton Lira, durante seu depoimento na Policia Federal em 2018, foi a respeito de uma possível interferência do Executivo Municipal na gestão do Previpalmas, devido a dificuldades impostas pela então presidente do Instituto, Wally Vidovix, que não estaria concordando com os esquemas de investimentos em fundos pobres.

Segundo o empresário, logo que sua empresa deu início ao trabalho de consultoria no Previpalmas, em 2015, foi tentado de sua parte o direcionamento de aplicações para fundos podres, onde seria possível operar o dinheiro de forma ilegal e fazer a retirada de comissões. Mas o plano não teria dado certo naquele momento por conta da presidente na época.

Elton afirmou que “como Wally [Vidovix] não atendia os pedidos do ex-prefeito Amastha [para realizar os investimentos], a mesma foi exonerada”. E de fato, a exoneração aconteceu, na data do dia 09 de outubro de 2015.

CPI
Em abril desse ano, durante depoimento na CPI do Previpalmas, a ex-presidente Wally Vidovix afirmou que “participou de todas as convocações, mas apenas em conjunto com outros secretários, nunca o encontrei [Amastha] em particular. Quando estávamos em reunião, o ex-prefeito falava sobre as estruturas gerais do município, não diretamente sobre o Previpalmas”, negando assim que tenha tratado qualquer aplicação com o gestor.

Propina de R$ 7,5 milhões teria sido paga para filho do Amastha

Já em 2017, quando Elton Lira retornou a capital, o Previpalmas estava na gestão de Max Fleury, e partir daí foi possível dar início as aplicações nos fundos considerados “pobres”. Em seu depoimento, Elton comenta que intermediou o encontro de interesses entre José Bittencourt [da Icla Trust] e Max Fleury, “que agia em nome do prefeito Amastha”, segundo depoimento.

A Icla foi a primeira gestora que atuou na capitação de recursos para o projeto Cais Mauá. Nesse encontro ficou acordado a aplicação de R$ 30 milhões no Cais e mais R$ 20 milhões no fundo TERCON, justamente as duas operações que em 2018 se tornaram alvo da CPI na Câmara de Vereadores, por irregularidades na aplicação, que não obedeceu aos ritos internos do Previpalmas.

O empresário afirmou que foram pagos em propina pela Icla Trust um total de 15% dos investimentos, totalizando R$ 7,5 milhões, que foram repassados durante encontro com o filho do ex-prefeito, Guilherme Amastha e Max Fleury, no Rio de Janeiro, na sede da Icla.

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